Engenho e Arte

. .. . 25.1.04


O Falcão Maltês





"Todo mundo tem alguma coisa para esconder."
Dashiell Hammett





Por 17:21




. .. . 23.1.04

La Pia de' Tolomei, 1868-80,  Dante Gabriel Rossetti (1828-1882),  Spencer Museum of Art at the University of Kansas


Annabel Lee




It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

Edgar Allan Poe





Annabel Lee


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

Tradução: Fernando Pessoa





Annabel Lee


Il y a mainte et mainte années,
dans un royaume près de la mer,
vivait une jeune fille, que vous pouvez connaître
par son nom d'Annabel Lee,
et cette jeune fille ne vivait avec aucune autre pensée
que d'aimer et d'être aimée de moi.

J'étais un enfant, et elle était un enfant,
dans ce royaume près de la mer,
mais nous nous aimions d'un amour qui était plus que l'amour
moi et mon Annabel Lee,
d'un amour que les séraphins ailés des Cieux
convoitaient à elle et à moi.

Et ce fut la raison
qu'il y a longtemps
un vent souffla d'un nuage,
glaçant ma belle Annabel Lee;
de sorte que ses proches de haute lignée vinrent
et me l'enlevèrent,
pour l'enfermer dans un sépulcre,
en ce royaume près de la mer.

Les anges, pas à moitié si heureux aux cieux,
vinrent nous enviant, elle et moi.
Oui ! Ce fut la raison (comme tous les hommes le savent
dans ce royaume près de la mer)
pourquoi le vent sortit du nuage la nuit,
glaçant et tuant mon Annabel Lee.

Mais, pour notre amour, il était plus fort de tout un monde que l'amour
de ceux plus âgés que nous ;
de plusieurs de tout un monde plus sages que nous,
et ni les anges là -haut dans les cieux,
ni les démons sous la mer,
ne peuvent jamais disjoindre mon âme de l'âme
de la très belle Annabel Lee.

Car la lune jamais ne rayonne sans m'apporter des songes
de la belle Annabel Lee ;
et les étoiles jamais ne se lèvent que je ne sente les yeux brillants
de la belle Annabel Lee; et ainsi, toute l'heure de nuit, je repose à côté
de ma chérie, - de ma chérie - ma vie et mon épouse,
dans ce sépulcre près de la mer,
dans sa tombe près de la bruyante mer.

Traduit par Mallarmé





Annabel Lee


Hace mucho, mucho, un día como hoy,
En un reino junto al mar,
Se encontraba una doncella a quien debes conocer,
Se llamaba Annabel Lee;
Y esta dama allá vivía con un solo pensamiento
De amar y ser amada por mí.

Yo era niño y ella niña,
En el reino junto al mar,
Nos amamos con cariño que era mucho más que amor,
Yo y mi Annabel Lee;
Tanto amor que los alados serafines del empíreo
La envidiaban tanto a ella como a mí.

Ha mucho tiempo, por esta causa,
En el reino junto al mar,
De las nubes sopló un viento que congeló
A mi bella Annabel Lee;
Con premura vino su noble parentela
Y la llevaron lejos de mí,
Encerrándola en sepulcro
En el reino junto al mar.

Los pocos felices ángeles del cielo
Siguieron envidiándonos tanto a ella como a mí,
Con razón los hombres lo saben,
En el reino junto al mar,
Viento oscuro de nube llega
Congelando y matando a mi Annabel Lee.

Nuestro amor fue más fuerte que el amor
De aquellos más viejos que nosotros
Y más sabios que nosotros,
Y nunca los ángeles de los cielos de arriba,
Ni los demonios de debajo del mar
Pudieron separar mi alma del alma
De la bella Annabel Lee.

La luna nunca brilla sin traerme los ensueños
De la bella Annabel Lee.
Ninguna estrella se levanta sin que yo vea los brillantes ojos
De la bella Annabel Lee.
Y por eso, en la marea de la noche me quedo al lado
De mi amada, mi querida, mi vida y mi novia,
En su sepulcro junto al mar,
En su tumba a la vera de la mar.

Traducción de Xuan Tomás García-Tamayo






Por 18:40




. .. . 13.1.04


Foto: Annabel Lee




Caetano Veloso




Por 18:22




. .. . 10.1.04


Norberto Bobbio
(18/10/1909-09/01/2004)

Norberto Bobbio (18/10/1909-09/01/2004)



"Não que o velho seja particularmente apegado a suas idéias. É que ele não tem outras."


"A velhice passa a ser então o momento em que temos plena consciência de que o caminho não apenas não está cumprido, mas também não há mais tempo para cumpri-lo..."


"A meu ver, quem chegou à minha idade deveria ter um só desejo e uma só esperança: descansar em paz."


"O que distingue a velhice da juventude, e também da maturidade, é a lentidão dos movimentos do corpo e da mente."


"Eu deveria acelerar os movimentos para chegar a tempo e, em vez disso, vejo-me obrigado, dia após dia, a mover-me cada vez mais devagar."


"As transformações cada vez mais rápidas (...) viraram de cabeça para baixo o relacionamento entre quem sabe e quem não sabe. Cada vez mais, o velho passa a ser aquele que não sabe em relação aos jovens que sabem."


"A descida em direção a nenhum lugar..."



Norberto Bobbio, O Tempo da Memória.

Fonte: Folha de S. Paulo / Especial Folha Trainee, 02/05/1998.




Por 14:34




. .. . 3.1.04


patchwork

comigo me desavim não uso o coração que ele é um pote até aqui tanto caco de sonho I die a little a vitória fulva esvai-se logo destino bofetada I wonder why ao pé de ti silêncio palpitação da jugular gotejando carmim não literal mas cor de chaga inestancável leito de enchente vozes para sempre mudas ratos pequeninos apressados egoístas inúteis vagabundos a quem jurei amar não há vinho como o sangue e seu carmim faça não faça não faça não pode ser a gota d'




Por 15:21