Engenho e Arte

. .. . 31.10.04






Por 15:00




. .. . 14.10.04

São, São Paulo!

Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini
Adoniran Barbosa (1910-1982) e Paulo Vanzolini (1924). Fotos de Iolanda Husak
e Carlos Pousada. Arte: Elifas Andreato. © 1972 Abril Cultural. Clique para ampliar.





Pafunça

(Adoniran Barbosa e Oswaldo Moles, 1965)


Pafunça, Pafunça
Pafunça, que pena, Pafunça
Que a nossa amizade virou bagunça

Pafunça cabou-se a sopa
Que tu dava pra eu morfar
Pafunça cabou-se a roupa
Que eu te dava pra lavá
Hoje vivo no abandono
Dum vira-lata sem dono
E pra me judiá, Pafunça
Nem meu nome tu pronunça

Pafunça, Pafunça
Pafunça, que pena, Pafunça
Que a nossa amizade virou bagunça

O teu coração sem amor
Se esfriô, se desligô
Até parece, Pafunça
Aqueles alevador
Que tá escrito
Num fununça
E a gente sobe a pé
E para me judiá, Pafunça
Nem meu nome tu pronunça

Pafunça, Pafunça
Pafunça, que pena, Pafunça
Que a nossa amizade virou bagunça


Ouça aqui um trecho, com Adoniran





Praça Clóvis

(Paulo Vanzolini, 1967)


Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça.


Ouça aqui um trecho, com Chico Buarque




Por 01:21




. .. . 20.9.04

Nunca te vi, sempre te amei, 1986       ::      Título Original:  84 Charing Cross Road   ::   Direção: David Hugh Jones   ::   Elenco: Anne Bancroft (Helene Hanff),  Anthony Hopkins (Frank P. Doel),  Judi Dench (Nora Doel)





"Há uma cortesia do coração, que é parenta do amor."
Goethe (1749-1832), em Afinidades Eletivas, 1809.






Por 11:36




. .. . 14.9.04

By George, she's got it! By George, she's got it!



 My Fair Lady (1964) - IMDB


The rain in Spain stays mainly in the plain!


Monha Querida Dama :: Título Original: My Fair Lady :: País de Origem: EUA ::  Ano: 1964 :: Duração: 170min :: Diretor: George Cukor :: Elenco: Audrey Hepburn, Rex Harrison e outros.







Por 16:04




. .. . 6.9.04


Noite de Paz



Dolores Duran (7/6/1930-24/10/1959)



Dá-me, Senhor
Uma noite sem pensar
Dá-me Senhor
Uma noite bem comum
Uma só noite em que eu possa descansar
Sem esperança e sem sonho nenhum
Por uma só noite assim
Posso trocar
O que eu tiver de mais puro
E mais sincero
Uma só noite de paz
Pra não lembrar
Que eu não devia esperar
E ainda espero

Dolores Duran





Por 15:30




. .. . 18.8.04

Foto: Annabel Lee


Dúvidas apócrifas de Marianne Moore


Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?

Não haverá nesse pudor
de falar-me uma confissão,
uma indireta confissão,
pelo avesso, e sempre impudor?

A coisa de que se falar
até onde está pura ou impura?
Ou sempre se impõe, mesmo impura-
mente, a quem dela quer falar?

Como saber, se há tanta coisa
de que falar ou não falar?
E se o evitá-la, o não falar,
é forma de falar da coisa?


João Cabral de Melo Neto
In: Agrestes. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1985.






Por 15:51




. .. . 11.8.04

O bom começo

Foto: Annabel Lee

A boa literatura está repleta de exemplos de grandes livros cujos primeiros momentos não são capazes de antecipar a obra-prima que se revelará mais adiante. Também é fato que um começo inspirado não garante a qualidade de uma obra nem a fidelidade do leitor. Como diz o escritor Sérgio Barcellos Ximenes, do excelente Blog do Romance, bons começos "são desejáveis, mas não essenciais".

Considerações à parte, o fato é que eu, que adoro tais aperitivos, resolvi elaborar - de maneira absolutamente lúdica e descompromissada, contando apenas com minha memória insuficiente, algumas consultas ao Google e uns poucos livros ao alcance das mãos - uma lista com alguns primorosos começos de romances. Vejamos:




Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.
Ana Karenina, Leon Tolstoi


No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo.
Crônica de uma Morte Anunciada, Gabriel Garcia Márquez


Aqui estou, em pé diante da janela deste casarão no sul da França enquanto chega a noite, essa noite que me arrasta ao pior de todos os amanheceres de minha vida.
Giovanni, James Baldwin


Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal Pedro Páramo.
Pedro Páramo, Juan Rulfo


Me chame de Ismael.
Moby Dick, Herman Melville


O meu nome não.
A Fúria do Corpo, João Gilberto Noll


Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão, ou coisa parecida.
O Jardim do Diabo, Luis Fernando Veríssimo


Uma das poucas coisas e, talvez mesmo, a única que eu sabia ao certo era esta: que me chamava Mattia Pascal.
O Falecido Mattia Pascal, Luigi Pirandello


Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos e, antes de começar, digo os motivos por que silenciei e por que me decido.
Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos


Era no tempo do rei.
Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antonio de Almeida


Hoje, minha mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem.
O Estrangeiro, Albert Camus


Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu.
Menino de Engenho, José Lins do Rego


Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu.
O Ateneu, Raul Pompéia


Sou um homem doente... Sou mau.
Memórias do Subterrâneo, Fiódor M. Dostoiévski


Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Lolita, Vladimir Nabokov


- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja.
Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa


Ao despertar após uma noite de sonhos agitados, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama transformado num inseto gigantesco.
A Metamorfose, Franz Kafka


Alguém devia ter caluniado a Josef K., pois sem que ele tivesse feito qualquer mal foi detido certa manhã.
O Processo, Franz Kafka


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis


Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde eu nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda esta lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso.
O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger







Por 17:32




. .. . 29.7.04


 Charles Bukowski (1920-1994)

Fonte: Buk




Por 14:47




. .. . 2.7.04

"What will we do without Marlon in this world?" Al Pacino


Marlon Brando (03/04/1924-01/07/2004)




Marlon Brando
(03/04/1924-01/07/2004)




"Sempre penso que se eu não fosse ator teria sido um vigarista e acabado na cadeia. Ou talvez tivesse enlouquecido."


"A profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, é a representação. Até os macacos representam."


"Nunca me esforcei para ser um sucesso. Simplesmente aconteceu. Eu apenas tentava sobreviver."


"Passei a maior parte da vida com medo de ser rejeitado, e acabei rejeitando a maioria das pessoas que me ofereceram amor porque não conseguia confiar nelas."


"Eu dou risada das pessoas que dizem que fazer filmes é arte e que os atores são artistas. Artistas foram Rembrandt, Beethoven, Shakespeare e Rodin; os atores são formigas operárias que participam de um negócio e labutam por dinheiro."


"Temos [nos Estados Unidos] uma abundância de coisas materiais, mas uma sociedade bem sucedida deveria produzir pessoas felizes, e acho que nós produzimos mais gente infeliz do que praticamente qualquer outro lugar da terra."



Fonte: Calendário do Pensamento



Por 17:15




. .. . 30.6.04

Ostentação


Sagarana, primeira edição - foto: Annabel Lee

Sagarana, primeira edição





O Óbvio Ululante, primeira edição - foto: Annabel Lee

O Óbvio Ululante, primeira edição autografada




Uma forma de felicidade: sair de um sebo carregando tais tesouros.





Por 17:03




. .. . 9.6.04

As canções que minha mãe me ensinou*


 Sorrow, 1882, drawing. Van Gogh Museum, Amsterdam (Vincent van Gogh Foundation)



Mãe Solteira


Hoje não há ensaio
na escola de samba
o morro está triste
e o pandeiro calado
Maria da Penha
A porta-bandeira
Ateou fogo às vestes
Por causa do namorado

O seu desespero
Foi por causa de um véu
Dizem que estas Marias
Não têm entrada no céu
Parecia uma tocha humana
Rolando pela ribanceira
A pobre infeliz
Teve vergonha de ser mãe solteira.

Jorge de Castro / Wilson Batista




Jarro da saudade


Iaiá, cadê o jarro?
O jarro que eu plantei a flor?

Eu vou te contar um caso
Eu quebrei o jarro e matei a flor

Que maldade, que maldade
Você bem sabia
No jarro de barro
Eu plantei a saudade.

Mirabeau / Daniel Barbosa / Geraldo Blota



*Por não se lembrar de acalantos.






Por 23:04




. .. . 5.3.04





Por 10:57




. .. . 20.2.04

D. H. Lawrence (1885-1930)


BAWDY CAN BE SANE

D. H. Lawrence
*



Bawdy can be sane and wholesome,
in fact a little bawdy is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

And a little whoring can be sane and wholesome.
In fact a little whoring is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

Even sodomy can be sane and wholesome
granted there is an exchange of genuine feeling.

But get any of them on the brain, and they become pernicious:
bawdy on the brain becomes obscenity, vicious.
Whoring on the brain becomes really syphilitic
and sodomy on the brain becomes a mission,
all the lot of them, vice, missions, etc., insanely unhealthy.

In the same way, chastity in its hour is sweet and wholesome.
But chastity on the brain is a vice, a perversion.
And rigid suppression of all bawdy, whoring or other such commerce
is a straight way to raving insanity.
The fifth generation of puritans, when it isn't obscenely profligate,
is idiot. So you've got to choose.




A INDECÊNCIA PODE SER SAUDÁVEL


A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.


*In: Poesia erótica em tradução / seleção, tradução, introdução e notas de
José Paulo Paes
. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.




Por 15:00




. .. . 7.2.04


Gregório Bezerra (1900-1983)




Fiquei parado frente ao portão. Um cachorro ladrou. Não fugi, porque o portão estava fechado. O cão continuou ladrando. A dona da casa chegou até a porta e perguntou-me o que eu desejava. Disse-lhe que queria comprar umas flores. Ela respondeu-me que não vendia flores e acrescentou:
- Tu não tens nem dinheiro para comer, como é que queres flores?
Insisti e ela tornou a perguntar:
- Quem te mandou comprar as flores e para quê?
- São para minha mãe. - Respondi.
- E tua mãe pode comprar flores? Por que não veio ela mesma? E onde é que ela mora?
- Ela não pode vir, não inhora. Ela mora lá em riba - disse e apontei o céu.

A senhora olhou-me já pesarosa e perguntou:
- Sua mãe é morta?
- É, inhora sim.
- E você quer flores para botar na cova dela, não é?
- É, inhora sim.

Abriu o portão e mandou-me entrar. Cortou uma porção de flores, as mais bonitas, e deu-me para levar. Perguntei-lhe quanto era. Ela respondeu-me com um beijo na fronte.
- Deus te conserve um bom filho!


Gregório Bezerra. Memórias - primeira parte: 1900-1945.
Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1979. p. 130-131.




Por 14:26




. .. . 25.1.04


O Falcão Maltês





"Todo mundo tem alguma coisa para esconder."
Dashiell Hammett





Por 17:21




. .. . 23.1.04

La Pia de' Tolomei, 1868-80,  Dante Gabriel Rossetti (1828-1882),  Spencer Museum of Art at the University of Kansas


Annabel Lee




It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

Edgar Allan Poe





Annabel Lee


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

Tradução: Fernando Pessoa





Annabel Lee


Il y a mainte et mainte années,
dans un royaume près de la mer,
vivait une jeune fille, que vous pouvez connaître
par son nom d'Annabel Lee,
et cette jeune fille ne vivait avec aucune autre pensée
que d'aimer et d'être aimée de moi.

J'étais un enfant, et elle était un enfant,
dans ce royaume près de la mer,
mais nous nous aimions d'un amour qui était plus que l'amour
moi et mon Annabel Lee,
d'un amour que les séraphins ailés des Cieux
convoitaient à elle et à moi.

Et ce fut la raison
qu'il y a longtemps
un vent souffla d'un nuage,
glaçant ma belle Annabel Lee;
de sorte que ses proches de haute lignée vinrent
et me l'enlevèrent,
pour l'enfermer dans un sépulcre,
en ce royaume près de la mer.

Les anges, pas à moitié si heureux aux cieux,
vinrent nous enviant, elle et moi.
Oui ! Ce fut la raison (comme tous les hommes le savent
dans ce royaume près de la mer)
pourquoi le vent sortit du nuage la nuit,
glaçant et tuant mon Annabel Lee.

Mais, pour notre amour, il était plus fort de tout un monde que l'amour
de ceux plus âgés que nous ;
de plusieurs de tout un monde plus sages que nous,
et ni les anges là -haut dans les cieux,
ni les démons sous la mer,
ne peuvent jamais disjoindre mon âme de l'âme
de la très belle Annabel Lee.

Car la lune jamais ne rayonne sans m'apporter des songes
de la belle Annabel Lee ;
et les étoiles jamais ne se lèvent que je ne sente les yeux brillants
de la belle Annabel Lee; et ainsi, toute l'heure de nuit, je repose à côté
de ma chérie, - de ma chérie - ma vie et mon épouse,
dans ce sépulcre près de la mer,
dans sa tombe près de la bruyante mer.

Traduit par Mallarmé





Annabel Lee


Hace mucho, mucho, un día como hoy,
En un reino junto al mar,
Se encontraba una doncella a quien debes conocer,
Se llamaba Annabel Lee;
Y esta dama allá vivía con un solo pensamiento
De amar y ser amada por mí.

Yo era niño y ella niña,
En el reino junto al mar,
Nos amamos con cariño que era mucho más que amor,
Yo y mi Annabel Lee;
Tanto amor que los alados serafines del empíreo
La envidiaban tanto a ella como a mí.

Ha mucho tiempo, por esta causa,
En el reino junto al mar,
De las nubes sopló un viento que congeló
A mi bella Annabel Lee;
Con premura vino su noble parentela
Y la llevaron lejos de mí,
Encerrándola en sepulcro
En el reino junto al mar.

Los pocos felices ángeles del cielo
Siguieron envidiándonos tanto a ella como a mí,
Con razón los hombres lo saben,
En el reino junto al mar,
Viento oscuro de nube llega
Congelando y matando a mi Annabel Lee.

Nuestro amor fue más fuerte que el amor
De aquellos más viejos que nosotros
Y más sabios que nosotros,
Y nunca los ángeles de los cielos de arriba,
Ni los demonios de debajo del mar
Pudieron separar mi alma del alma
De la bella Annabel Lee.

La luna nunca brilla sin traerme los ensueños
De la bella Annabel Lee.
Ninguna estrella se levanta sin que yo vea los brillantes ojos
De la bella Annabel Lee.
Y por eso, en la marea de la noche me quedo al lado
De mi amada, mi querida, mi vida y mi novia,
En su sepulcro junto al mar,
En su tumba a la vera de la mar.

Traducción de Xuan Tomás García-Tamayo






Por 18:40




. .. . 13.1.04


Foto: Annabel Lee




Caetano Veloso




Por 18:22




. .. . 10.1.04


Norberto Bobbio
(18/10/1909-09/01/2004)

Norberto Bobbio (18/10/1909-09/01/2004)



"Não que o velho seja particularmente apegado a suas idéias. É que ele não tem outras."


"A velhice passa a ser então o momento em que temos plena consciência de que o caminho não apenas não está cumprido, mas também não há mais tempo para cumpri-lo..."


"A meu ver, quem chegou à minha idade deveria ter um só desejo e uma só esperança: descansar em paz."


"O que distingue a velhice da juventude, e também da maturidade, é a lentidão dos movimentos do corpo e da mente."


"Eu deveria acelerar os movimentos para chegar a tempo e, em vez disso, vejo-me obrigado, dia após dia, a mover-me cada vez mais devagar."


"As transformações cada vez mais rápidas (...) viraram de cabeça para baixo o relacionamento entre quem sabe e quem não sabe. Cada vez mais, o velho passa a ser aquele que não sabe em relação aos jovens que sabem."


"A descida em direção a nenhum lugar..."



Norberto Bobbio, O Tempo da Memória.

Fonte: Folha de S. Paulo / Especial Folha Trainee, 02/05/1998.




Por 14:34




. .. . 3.1.04


patchwork

comigo me desavim não uso o coração que ele é um pote até aqui tanto caco de sonho I die a little a vitória fulva esvai-se logo destino bofetada I wonder why ao pé de ti silêncio palpitação da jugular gotejando carmim não literal mas cor de chaga inestancável leito de enchente vozes para sempre mudas ratos pequeninos apressados egoístas inúteis vagabundos a quem jurei amar não há vinho como o sangue e seu carmim faça não faça não faça não pode ser a gota d'




Por 15:21




. .. . 30.12.03




Ano Novo


O rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo

Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E quem já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo

A minha nega me pediu um vestido
Novo e colorido
Pra comemorar
Eu disse:
Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par
E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar

E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso
Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente
E tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo

Chico Buarque / 1967




Por 10:48




. .. . 27.12.03


Um Lugar ao Sol




Clique para ver mais fotos em        http://pro.corbis.com/search/searchFrame.asp
A Place in the Sun
Elizabeth Taylor and Montgomery Clift, 1951 - Paramount






Por 12:45




. .. . 23.12.03

Feliz Natal!!!




The Nativity, 1409. Lorenzo Monaco (Italian [Florence], ca. 1370-1423).Tempera on panel; 8 3/8 x 12 1/4 in. (21.4 x 31.2 cm).Robert Lehman Collection, 1975 (1975.1.66)

The Nativity, 1409. Lorenzo Monaco. Robert Lehman Collection.




The Nativity with Donors and Saints Jerome and Leonard, ca. 1510-15. Gerard David (Netherlandish, born about 1455, died 1523). Oil on canvas, transferred from wood; central panel 35 1/2 x 28 in. (90.2 x 71.1 cm); each wing 35 1/2 x 12 3/8 in. (90.2 x 31.4 cm). The Jules Bache Collection, 1949 (49.7.20a-c)

The Nativity with Donors and Saints Jerome and Leonard, 1510-15. Gerard
David. The Jules Bache Collection.





The Adoration of the Shepherds, shortly after 1450.Andrea Mantegna (Italian [Paduan], born no later than 1430, died 1506).Tempera on canvas, transferred from wood; overall 15 3/4 x 21 7/8 in. (40 x 55.6 cm); painted surface 14 7/8 x 21 in. (37.8 x 53.3 cm).Purchase, Anonymous Gift, 1932 (32.130.2)

The Adoration of the Shepherds, shortly after 1450. Andrea Mantegna.




Por 18:57




. .. . 22.12.03

Um escriba medieval - Iluminuras The Granger Collection/Roger-Viollet
...Um escriba medieval



(...) E uma vez que a visão do belo comporta a paz, e para o nosso apetite é a mesma coisa acalmar-se na paz, no bem e no belo, senti-me invadido por grande consolo e pensei o quanto devia ser agradável trabalhar naquele lugar.

Tal qual se mostrava aos meus olhos, àquela hora da tarde, ele me pareceu um alegre opifício de sabedoria.

(...) Os lugares mais iluminados eram reservados aos antiquários, miniaturistas mais habilidosos, aos rubricadores e aos copistas. Cada mesa tinha todo o necessário para miniaturar e copiar: chifres de tinta, penas finas que alguns monges estavam afinando com uma faca afiada, pedra-pome para deixar liso o pergaminho, réguas para traçar as linhas sobre as quais seria estendida a escritura. Junto a cada escriba, ou no topo do plano inclinado de cada mesa, ficava uma estante, sobre a qual apoiava o códice a ser copiado, a página coberta por moldes que enquadravam a linha que era transcrita no momento. E alguns tinham tintas de ouro e de outras cores. Outros porém estavam apenas lendo livros, e transcreviam apontamentos em seus cadernos particulares ou tabuletas.

Umberto Eco. O nome da rosa.
Tradução: Aurora Bernardini e Homero de Andrade. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983.



Por 11:11




. .. . 17.12.03

E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão:




"A vida se divide em horrível e miserável."
Woody Allen


"A vida é um pânico num teatro em fogo."
Jean-Paul Sartre


"O sentido da vida é que ela acaba."
Franz Kafka


"A vida não é uma farsa, é uma tragédia."
Luigi Pirandello


"Mas a vida não é entendível."
Guimarães Rosa


"Séria é a vida, alegre a arte."
Schiller


"A vida, fiada outrora pelas Parcas e bordada pelas fadas, hoje em dia é tecida a máquina."
Joaquim Nabuco


"A vida é apenas uma sombra errante. (...) É um conto narrado por um idiota, cheio de som e de fúria, que nada significa."
William Shakespeare


"Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
Não amar, é sofrer; amar, é sofrer mais!"
Menotti del Picchia


"A vida é tempo perdido.
O que se ganha é bem pouco.
Que vale ao morto o vivido?
Que vale ao vivo, tampouco?"
Dante Milano


"A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar."
Gonçalves Dias


"Que é a vida? um frenesi.
Que é a vida? uma ilusão.
É uma sombra, uma ficção,
e é pequeno o maior bem,
pois a vida toda é sonho,
e sonhos os sonhos são."
Pedro Calderón de la Barca


Por 11:40




. .. . 8.12.03

João Gilberto, um abraço...



 Joao Gilberto - Foto: Mário Luiz Thompson  (http://www.mpbnet.com.br/musicos/joao.gilberto/)

De palavra em palavra


Manhã tão bonita manhã
E muita calma pra pensar
Eu amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
Sim, fiz projetos , pensei
Mas esse mundo é cheio
De maldade e ilusão
Pra que trocar sim por não
Se o resultado é solidão

O amor, o sorriso e a flor
Meu sabiá meu violão
O que ficou pra machucar meu coração
Pois é, tantos versos eu fiz
Dizendo a todo mundo
O que ninguém diz
Alimentei a ilusão de ser feliz

O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou demais
Eu vivo sonhando ah! que insensatez
Até você voltar outra vez

Eu tenho esse amor para dar
Agora o que é que eu vou fazer
Porque esse é o maior
Que você pode encontrar
Mas de conversa em conversa
Eu só quis dizer
De palavra em palavra
João Gilberto um abraço em você.

Miltinho, Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro





João, voz e violão (peguei aqui)



Una Mujer
(Paul Misrakis / S. Pontal Rios / C. Olivari)




Por 14:35




. .. . 27.11.03

A Cristo crucificado



Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.


Autor não identificado
(Atribuído freqüentemente a Santa Teresa de Ávila)

Tradução: Tradução: Manuel Bandeira




Por 10:13




. .. . 19.11.03

James Augustine Aloysius Joyce


James Joyce (1882-1941)






Opiniões de James Joyce sobre...



Aldous Huxley:
Ele pelo menos se veste convenientemente.

D. H. Lawrence:
Este homem escreve realmente muito mal.

Gertrude Stein:
Odeio mulheres intelectuais.

Goethe:
Um noioso funzionario.

Proust:
Não vejo nenhum talento especial nele, mas sou mau crítico.

Os chatos:
Nunca encontrei um chato.

Os críticos:
Não sei porque me atacam. Ninguém em nenhum de meus livros vale mais do que mil libras.

James Joyce:
Um homem de poucas virtudes, inclinado à extravagância e ao alcoolismo.


Fonte: Richard Ellmann. James Joyce.
Tradução de Lya Luft. Ed. Globo, 1989.





Por 12:23




. .. . 18.11.03

Delícia! Ivan Lessa no Letteri Café



Ivan Lessa em Londres, 1986

Ivan Lessa em Londres, 1986



Por 12:45




. .. . 7.11.03

Salve, Jorge Mautner!



Jorge Henrique Mautner nasceu no Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1941...

Com a mulher, Ruth Mautner, final da década de 60

Jorge Mautner é um homem forte como um rochedo, claro como a água, leve como vento.- Gilberto Gil

Mautner, 2000





Trechos


Samba dos animais
(Jorge Mautner)

Maracatu atômico
(Nelson Jacobina-Jorge Mautner)

Bolinhas de gude
(Jorge Mautner)




Por 18:48




. .. . 28.10.03

Sem comentários






Por 16:07




. .. . 25.10.03

Days of wine and roses ...


Três momentos de puro charme



IT WAS A VERY GOOD YEAR


When I was seventeen it was a very good year
It was a very good year for small town girls and soft summer nights
We'd hide from the lights on the village green
When I was seventeen

When I was twenty-one it was a very good year
It was a very good year for city girls who lived up the stair
With all that perfumed hair and it came undone
When I was twenty-one

Then I was thirty-five it was a very good year
It was a very good year for blue-blooded girls
Of independent means, we'd ride in limousines their chauffeurs would drive
When I was thirty-five

But now the days grow short, I'm in the autumn of the year
And now I think of my life as vintage wine from fine old kegs
From the brim to the dregs, and it poured sweet and clear
It was a very good year

It was a mess of good years

Ervin M. Drake




Rat Pack: Sinatra, Dean Martin, Peter Lawford, Sammy Davis Jr. (Ocean's Eleven, 1960)



I'M GONNA LIVE TILL I DIE


I'm gonna live till I die! I'm gonna laugh 'stead of cry,
I'm gonna take the town and turn it upside down,
I'm gonna live, live, live until I die.
They're gonna say "What a guy!" I'm gonna play for the sky.
Ain't gonna miss a thing, I'm gonna have my fling,
I'm gonna live, live, live until I die.
The blues I lay low, I'll make them stay low,
They'll never trail over my head.
I'll be a devil, till I'm an angel, but until then.
Hallelujah, gonna dance, gonna fly, I'll take a chance riding high,
Before my number's up, I'm gonna fill my cup,
I'm gonna live, live, live, until I die!
The blues I lay low ...

Mann Curtis, Al Hoffman
& Walter Kent


Por 15:32




. .. . 21.10.03

Ameaças e pragas muito bem rogadas:






Advertência inscrita na biblioteca do Mosteiro de São Bento, em Barcelona:

Para aquele que rouba ou toma emprestado e não devolve um livro de seu dono, que o livro se transforme em serpente em suas mãos e o envenene. Que seja atingido por paralisia e todos os seus membros murchem. Que definhe de dor, chorando alto por clemência, e que não haja descanso em sua agonia até que mergulhe na desintegração. Que as traças corroam suas entranhas como sinal do Verme que não morreu. E quando finalmente for ao julgamento final, que as chamas do Inferno o consumam para sempre.


Advertência inscrita num valioso tomo renascentista:

O nome de meu senhor acima vês,
Cuida portanto para que não me roubes;
Pois, se o fizeres, sem demora
Teu pescoço... me pagará.
Olha para baixo e verás
A figura da árvore da forca;
Cuida-te portanto em tempo,
Ou nesta árvore subirás!




Alberto Manguel. Uma história da leitura. São Paulo, Companhia das Letras, 1997


Por 14:52




. .. . 19.10.03


"Quando encontro dificuldades na leitura, não me preocupo exageradamente; deixo-as de lado após tentar resolvê-las uma ou duas vezes. Se me detivesse nelas, perder-me-ia e perderia meu tempo; meu espírito é de compreensão imediata. O que não entendo à primeira vista, entendo menos me obstinando. Não faço nada sem alegria."

Les difficultez, si j'en rencontre en lisant, je n'en rouge pas mes ongles: je les laisse là, après leur avoir fait une charge ou deux. Si je m'y plantois, je m'y perdrois, & le temps: car j'ay un esprit primsautier: ce que je ne voy de la première charge, je le voy moins en m'y obstinant. Je ne fay rien sans gayeté.


MICHEL DE MONTAIGNE (1533-1592), Ensaios.



Por 13:50




. .. . 17.10.03






Por 15:12




. .. . 16.10.03

Com a palavra,


Orides Fontela (1940-1998)




FALA

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade)



Por 14:56




. .. . 7.9.03

Entre aspas


"Outrossim é a puta que pariu."
Graciliano Ramos, então revisor do Correio da Manhã, repreendendo um repórter que usara em um texto a palavra outrossim.

Site oficial de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos por Cândido Portinari, 1937


Por 15:52




. .. . 1.7.03

De um papiro egípcio


Desejo que ames a escrita mais do que a tua própria mãe. Descortino para ti os encantos da arte de escrever; nenhuma outra profissão tem encantos maiores. Em todo o país nada existe capaz de igualar esta arte em beleza. O aprendiz de escriba, mal inicia, criança ainda, seus estudos, já é alvo de saudações e passa a servir de mensageiro. Quando de seu regresso não terá de se ocupar com trabalhos pesados. Dentre todos que exercem uma profissão somente o escriba não está sujeito a receber ordens. Ele próprio manda. Se souberes escrever, terás na profissão de escriba vantagens maiores às das demais profissões.

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO - CURSO MODERNO
Coleção Sérgio Buarque de Hollanda, Companhia Editora Nacional




Por 14:09




. .. . 30.6.03


patchwork

eu também já tive meu ritmo estou hoje vencido como se soubesse a verdade fazia isso dizia aquilo é pau é pedra é o fim do caminho e meus amigos me queriam é um resto de toco é um pouco sozinho sem arquivos na alma não tenho ritmo mais não estou hoje lúcido como se estivesse para morrer conheço bem minha história tu não me enganas mundo e não te engano a ti you must remember this começa na lua cheia e termina antes do fim e vou tomar aquele velho navio e o que eu vejo é o beco é um caco de vidro é a vida é o sol se tivesse mais irmandade com as coisas é a noite é a morte para entrar na história é um laço é o anzol a tale told by an idiot então tudo é permitido quero cheirar fumaça de óleo diesel que mal me tirará o que eu não tenho é o fundo do poço é o fim do caminho e uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos full of sound and fury no rosto unphotographable desgosto é um pouco sozinho me embriagar até que alguém me esqueça é a lenha é o dia é o fim da picada you were born under a bad sign não chore nunca mais não adianta with a blue moon in your eyes é a garrafa de cana, o estilhaço na estrada coração orgulhoso tens pressa de confessar tua derrota ter uma obra uma força uma vontade uma horta é o projeto da casa é o corpo na cama tão decadente tão decadente tão decadente a fileira de carruagens de um comboio e uma partida apitada de dentro da minha cabeça beijo preso na garganta esta noche me emborracho bien é o carro enguiçado é a lama é a lama vou-me embora pra Pasárgada the game of life is hard to play aqui eu não sou feliz e no fundo da mina ó capitão me esconde




Por 19:21




. .. . 12.3.03

Brando: Engenho & Arte do Criador




Por 11:10




. .. . 23.12.02





Por 16:46




. .. . 5.11.02

O ÚLTIMO POEMA


Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira


Retrato de Manuel Bandeira, Portinari - 1931





Por 16:54




. .. . 4.11.02

Ah!




GIULIETTA MASINA


Pálpebras de neblina, pele d'alma
lágrima negra tinta
lua lua lua lua
Giulietta Masina
ah, puta de uma outra esquina
ah, minha vida sozinha
ah, tela de luz puríssima
(existirmos a que será que se destina)
ah, Giulietta Masina
ah, vídeo de uma outra luz
pálpebras de neblina, pele d' alma
Giulietta Masina
aquela cara é o coração
de Jesus

Caetano Veloso


Por 18:31





. .. . 3.11.02

Chet!




Clique aqui e ouça trechos de algumas obras-primas imortalizadas por Chet Baker.




Por 19:30




. .. . 31.10.02

patchwork

nenhum livro nenhum livro à cabeceira açoite após açoite agora enfim é noite há sinos de ironia em cada hora a nenhuma parte a minha ânsia me levará vou tentar a desistência a eternidade me entedia vontade consumida em pó e devaneio sin misión no hay hombre ilhas que mesmo os sonhos não alcançam nada de esperanças nem de recomeço eu já não te fito até a voz do mar se torna exílio em sangue embalando a própria dor hora de apagar estrelas são molestas anjo que extermina a dor they shoot horses don't they?




Por 15:38





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